<T->
           Histria ParaTodos
           Histria -- 4a. srie
           Ensino Fundamental

           Conceio Oliveira 

<F->
Impresso Braille em 3 partes na diagramao de 28 linhas por 34 caracteres, da 1a. edio, So Paulo, 2006 da editora
Scipione.
<F+>

           Segunda Parte

           Ministrio da Educao
           Instituto Benjamin Constant
           Av. Pasteur, 350-368 -- Urca
           22290-240 Rio de Janeiro 
           RJ -- Brasil
           Tel.: (0xx21) 3478-4400
           Fax: (0xx21) 3478-4444
          E-mail: ~,ibc@ibc.gov.br~, 
          ~,http:www.ibc.gov.br~,
          -- 2007 --
<P>
          Copyright (C) Maria da 
          Conceio Carneiro Oliveira

          Edio: 
          Solange A. de A. Francisco

          Assessoria pedaggica 
          (colaborao):
          Alessandra R. S. X. Oliveira
          Marco Antonio de Oliveira
          Maria Beatriz Meirelles Leite da Silva

          ISBN 85-262-5430-8 -- AL

          Av. Otaviano Alves de 
          Lima, 4.400 6 andar e andar 
          intermedirio ala "B"
          Freguesia do 
          CEP 02909-900 -- 
          So Paulo -- SP
          Caixa Postal 007
          DIVULGAO
          Tel.: (0xx11) 3990-1810

<F->
~,www.scipione.com.br~,
e-mail: ~,scipione@scipione.~
  com.br~,
<F+>
<P>
<F->
                               I
Sumrio

Segunda Parte

Unidade 2

A cara do Brasil no
  cabe num verbete -- 1 :::: 71
1- Conservar o planeta para 
  proteger a vida ::::::::::: 72
Cadeira de balano:
  "A gente no quer s
  comida" ::::::::::::::::::: 72
Rota de viagem ::::::::::::: 83
Refletindo e produzindo com 
  Taguat e sua turma :::::: 87
Brasil rico e bonito por
  natureza... mas por
  quanto tempo? ::::::::::::: 92
Pequeno retrato do Brasil
  "urbano" :::::::::::::::::: 102
Ser o Brasil um pas
  urbanizado? ::::::::::::::: 105
Para saber mais :::::::::::: 108
<P>
2- Abolio: uma histria
  feita por negros e
  brancos ::::::::::::::::::: 109
Cadeira de balano: Somos 
  espectadores ou atores da
  Histria? :::::::::::::::: 109
Rota de viagem ::::::::::::: 123
Refletindo e produzindo com 
  Marina, mestre Andr e a
  turma da capoeira ::::::::: 125
Pequena histria da
  Abolio: escravos,
  abolicionistas e leis ::::: 126
13 de maio: comemorar ou
  no? Eis a questo! :::::: 131
Ps-abolio: racismo e
  excluso :::::::::::::::::: 137
Brasil em preto-e-branco: os 
  dados do preconceito e da
  injustia ::::::::::::::::: 139
As cores da luta contra o  
  racismo, a discriminao e
  o preconceito ::::::::::::: 144
Para saber mais :::::::::::: 147
3- A face do campo :::::::: 148
Cadeira de balano: Vida
  severina :::::::::::::::::: 148
Rota de viagem ::::::::::::: 157
                            III
Refletindo e produzindo com 
  Ana Ceclia e seus
  amigos :::::::::::::::::::: 162
Os nmeros da luta pela
  terra ::::::::::::::::::::: 163 
Os agentes da Reforma
  Agrria no Brasil ::::::: 166
Diferentes olhares sobre a 
  questo da terra :::::::::: 171
Um poema que fez his-
  tria ::::::::::::::::::::: 180
Para saber mais :::::::::::: 183
<F+>
<47>
<P>
<Thist. paratodos 4a.>
<T+71>
Unidade 2

<R+>
A cara do Brasil no cabe num verbete -- 1
<R->

  Num retrato velho, amarrotado, o Brasil aprisionado pelas correntes escravocratas. Enferrujadas? Na fotografia recm-tirada de corpo inteiro do pas, o povo negro brada: Igualdade! No plano de fundo, na natureza devastada, ecoa o grito dos povos indgenas, dos sem-terra: Vida! Vida na terra! Muitas bocas vermelhas de batom dizem no  discriminao, exigem direitos e, que se faa direito, a justia para todos.

<48>
<p>
<R+>
1- Conservar o planeta para proteger a vida

Cadeira de balano:

 "A gente no quer s comida"
<R->

  O professor Valrio chegou animado em sua sala de aula, na aldeia Tekoa Sapukai. Qual seria o motivo? Vamos descobrir, lendo o dilogo de Valrio com a sua turma:
  -- Bom dia, Valrio, voc est contente? O que aconteceu? -- perguntou Taguat.
  -- Bom dia, crianas. Estou animado, sim, cheio de esperana, pois 
recebi uma carta do cacique da aldeia *Itaoca*, l do municpio (**) de Mongagu, em So Paulo.
  -- E o que ele diz na carta, professor? -- questionou Clia.
<49>
  -- Ele informa que, finalmente, as autoridades de Mongagu decidiram construir um aterro sanitrio.
  -- E por que isso  importante, Valrio? -- questionou Taguat.
  -- Isso  muito importante, crianas, pois, no final dos anos de 1990, a situao das crianas da aldeia Itaoca chegou a ser insuportvel. Fome, doenas como diarria e at mesmo a morte castigavam-nas. Tudo isso por causa da m alimentao e da proliferao de ratos e insetos que transmitem doenas. Grande parte desses problemas de sade de nossos irmos indgenas de Itaoca so causados pelo lixo que fica prximo s terras da aldeia e...
  Donato interrompeu o professor e perguntou:
  -- Professor, por que a aldeia Itaoca est cheia de ratos e insetos? Por acaso, os Guarani de Itaoca no sabem que a gente no deve jogar lixo a cu aberto? E que isso atrai e aumenta a quantidade de ratos e baratas?
  -- Eles sabem, sim, Donato. Mas no so eles que produzem todo esse lixo, no.
  -- Ento, quem produz? -- perguntou Aparecida.
  -- Esse lixo  municipal. Para produzir tanto lixo,  preciso ter o que jogar fora, e a populao da aldeia  muito pobre para isso. Na verdade, para sobreviver, muitas crianas Guarani ajudam seus pais catando latinhas de alumnio nesse lixo para vender.
  As crianas ouviram o relato do professor sobre a aldeia Itaoca e ficaram muito preocupadas. Foi ento que Aparecida perguntou:
  -- Ento, esse tal de aterro  mesmo muito importante, no , Valrio?
<50>
  -- Aparecida, se esse aterro de fato for construdo, a situao pode melhorar, j que os aterros so uma alternativa mais adequada do que os lixes. Para fazer um aterro sanitrio, prepara-se o solo antes de se depositar o lixo, isolando-o. Assim, o lixo depositado nele no contamina a terra e a gua. Nos aterros sanitrios tambm h controle do lixo depositado, evitando problemas ao meio ambiente e  sade das pessoas.
  -- Ento os problemas deles vo acabar? Que bom! -- concluiu Aparecida.
  -- No, Aparecida, eu no disse isso. Veja bem, as terras dos 
Guarani de Itaoca j foram demarcadas pela Funai (**). Acredito que o 
prximo passo ser dado pela Justia brasileira, que deve legalizar o 
registro dessas terras, transformando-as em reserva indgena (**). Mas, ainda assim, esses Guarani tero problemas.  que as reas reservadas para as populaes indgenas que ficam prximas s cidades, como  o caso das terras da aldeia Itaoca, so pequenas para que se possa tirar delas o sustento de seus habitantes. Alm disso, essas reas prximas s cidades geralmente sofreram grande desmatamento.
  -- Por causa dos colonizadores europeus, no , professor? -- perguntou Donato.
  -- No s por causa dos colonizadores, Donato. Nos primeiros 
sculos da colonizao portuguesa, nas terras que hoje formam o 
Brasil, a Mata Atlntica, que co-
 bria grande parte dessa regio 
litornea, foi bastante devastada. Mas no podemos responsabilizar os 
colonizadores por todos os problemas que temos hoje no Brasil.
  -- Mas no foram os europeus conquistadores que obrigaram os indgenas a derrubarem as rvores para extrair a tinta vermelha do pau-brasil? Voc nos contou que eles levavam as madeiras  Europa para tingir os panos que usavam para fazer as roupas deles -- disse Taguat-Mirim.
<51>
  -- Isso  verdade, Taguat, mas...
  Donato interrompeu o professor e complementou:
  --  mesmo, Valrio, e depois os colonizadores trouxeram os africanos, que eram escravizados e que tambm foram obrigados a derrubar as rvores para plantar cana-de-acar para os senhores de engenho.
  O professor Valrio concordou:
  -- Isso tambm  verdade. No estou dizendo que os colonizadores no desmataram nossas florestas. O que estou afirmando  que no podemos responsabilizar somente os colonizadores por esse grande problema que  a destruio do meio ambiente na atualidade.
  E, ento, Taguat disse:
  -- Professor, acho que voc tem razo! O desmatamento comeou com os portugueses, mas muita coisa  responsabilidade das pessoas e autoridades de hoje, como esse lixo municipal perto das aldeias.
  Taguat continuou falando:
  -- Tenho uma dvida: se o meio ambiente de Itaoca, onde habitam os 
Guarani, est to destrudo, se as matas esto sendo devastadas, como 
 que o paj pode colher ervas para curar as pessoas? E os cestos? 
Como  que os Guarani conseguem fazer cestos sem o gravat? E o palmito?
<52>
  -- Pois , Taguat. Itaoca  um retrato da pobreza que atinge 
grande parte da populao do Brasil, porque no so apenas as cri-
 anas indgenas de l que muitas vezes precisam catar restos de 
comida e latinhas de alumnio no lixo, vivendo com to pouca 
dignidade. No Brasil atual, muitas pessoas de todas as idades catam 
restos de comida dos lixes para se alimentarem.
  E Valrio continuou:
  -- A destruio do meio ambiente, causada pelo desmatamento, pela poluio e pela contaminao da terra, da gua e do ar,  prejudicial para qualquer ser vivo. Para ns, indgenas, isso  ainda mais terrvel, porque ameaa toda a nossa cultura.  das matas que retiramos todos os recursos para a nossa sobrevivncia.  delas que saem as fibras para fazermos cestos e redes e as plantas para fazermos remdio. O desmatamento pe fim a tudo isso. Tambm  necessrio que a terra seja saudvel para o cultivo da mandioca, do milho e de tantos outros elementos fundamentais para a sobrevivncia e a preservao da cultura indgena. O lixo que no  tratado envenena a terra e a gua. Por isso, a construo de um aterro sanitrio pode diminuir os problemas de nossos irmos de Itaoca.
<53>
  -- No entendo uma coisa... -- disse Taguat, prosseguindo com o bombardeio de perguntas ao professor: -- Por que o povo que no  indgena produz tanto lixo? Por que eles derrubam tantas rvores?  para fabricar papel e fazer livros? O povo da cidade deve ser muito sabido, porque todo mundo deve ler muito, no ? Mas se eles so to sabidos, ser que no sabem que, se a gente destruir a natureza, no conseguir tambm ficar vivo?
  Ento, Valrio disse:
  -- Ufa, Taguat! Respire um pouco!
  E continuou:
  -- Voc fez perguntas importantssimas, com certeza. Para 
discutirmos sobre elas, precisamos de mais tempo. Hoje, daqui a 
pouco, eu e outros adultos de Tekoa
 Sapukai iremos nos reunir para 
discutir sobre os perigos do "engenho do homem branco". Mas quero 
dizer a vocs que, infelizmente, no se desmatam florestas somente 
para fazer livros, assim como nem todas as pessoas das cidades tm 
acesso a eles. Gostaria de lembr-los, tambm, de que h muita gente 
entre os no-indgenas que luta pela conservao e preservao do 
meio ambiente. Em nossos prximos encontros discutiremos essas 
questes.
  Clia esperou Valrio concluir seu pensamento e lhe disse:
  -- Tenho uma idia! Voc disse que o lixo  municipal, no ? Que tal se a gente escrevesse cartas para os lderes desse municpio para incentiv-los a construir logo esse aterro? O povo das cidades tem lderes, no ? Como ns temos o paj, o cacique...
<54>
  -- Os povos no-indgenas tm autoridades que os representam, Clia. Esses representantes, que so os prefeitos dos municpios, os governadores dos estados, o presidente do pas, tm de defender os interesses de todos os cidados. H tambm os representantes que so responsveis pela elaborao das leis do municpio, do estado e do pas. Esses so os vereadores, os deputados estaduais e federais e os senadores.
  -- E para qual deles a gente pode escrever? -- perguntou Donato.
  -- Acho que podemos comear pelos representantes da cidade de Mongagu: o prefeito e seus vereadores -- respondeu o professor.
  -- A gente pode tambm escrever para essas pessoas da cidade que so contra a destruio da natureza, no , Valrio? -- sugeriu Taguat.
  -- Podemos, sim, e faremos isso tambm. Amanh mesmo comearemos a escrever essas cartas.
  Antes de sair para o encontro, o professor falou:
  -- Agora preciso ir, meninos e meninas. Enquanto eu estiver na reunio, vocs vo assistir ao vdeo que eu trouxe, e que mostra a vida em uma outra reserva Guarani. L, nossos irmos indgenas esto produzindo mudas de palmeira para o reflorestamento. Eles tm muito a ensinar para todos ns.
  Enquanto Taguat e seus amigos se preparavam para assistir ao vdeo, o professor Valrio se despediu e foi para a reunio com as demais lideranas da aldeia. Seguia pensando nos problemas que o "engenho do homem branco" pode causar aos Guarani da aldeia Tekoa Sapukai, mas estava feliz porque as crianas de sua turma haviam entendido os problemas enfrentados pelos irmos de Itaoca, e estavam dispostas a discutir formas de ajud-los a resolver esses problemas.

<55>
Rota de viagem

<R+>
1. Observe a descrio da foto e leia atentamente o texto que a acompanha:
<R->

<R+>
_`[{grupo de indgenas, danando de mos dadas, formam um crculo_`]
 Legenda: Aldeia Xavantes Pimentel Barbosa, Canarana (MT), 2001.
<R->

  Antes de os europeus chegarem s terras que hoje denominamos Brasil, em 1500, os inmeros povos indgenas que aqui viviam habitavam diferentes regies de nosso territrio, de diferentes modos. Alguns se fixavam durante um longo tempo numa determinada regio; outros, como os Guarani, construam aldeias onde viviam temporariamente, e, alguns anos depois, deslocavam-se para outras reas. Os Xavante, apesar de construrem uma aldeia-base em uma determinada rea, viajavam de duas a trs vezes por ano para caar, ficando bastante tempo longe dela. Hoje, a grande maioria dos povos indgenas no Brasil vive em terras demarcadas, as reservas indgenas, ou lutam para conquistar terras em que possam manter as suas culturas.

  Responda oralmente:
<R+>
 2. Voc sabe quantos povos indgenas existem hoje no Brasil?

 3. Os Xavante eram seminmades (**), e os Guarani migravam com freqncia. Atualmente, muitos povos indgenas do Brasil vivem em reservas.
 a) Na sua opinio, que mudanas ocorreram no modo de vida desses povos?
<p>
 b) Ser que eles ainda precisam passar por outras mudanas para sobreviver nas reservas?

<56>
 4. Agora, observe atentamente a descrio do mapa abaixo e leia o texto que o acompanha.
<R->

<R+>
 Terras indgenas do Brasil em 2000
<R->

<R+>
_`[{o mapa mostra a localizao das terras: a identificar, em 
identificao, identificadas e aprovadas pela Funai, delimitadas e as 
reservas legais; em destaque aparece o estado do Rio de Janeiro e a 
cidade de Angra dos Reis: regio onde fica a aldeia Tekoa Sapukai_`]
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

  Atualmente, existem no Brasil cerca de 200 povos indgenas que 
falam aproximadamente 180 lnguas diferentes. O total da populao indgena  de cerca de 350 mil pessoas, o que corresponde a 0,2% da populao brasileira. As terras indgenas ocupam cerca de 12,18% da extenso do Brasil.

<R+>
 5. Agora, responda por escrito:
 a) Qual  o ttulo desse mapa?
 b) Com base no ttulo, voc poderia dizer o que o mapa representa?
 c) Destaque a cidade e o estado em que se localiza a aldeia de Taguat-Mirim. 
 d) De acordo com o mapa, em quais regies do Brasil se concentra a maior parte das terras indgenas?

<57>
 6. No Brasil, somente nos estados do Piau e Rio Grande do Norte no h populao indgena residente. Faa uma pesquisa para conhecer mais sobre os povos indgenas de seu estado e, caso voc resida no Piau ou Rio Grande do Norte, escolha outro estado. Procure descobrir e responda por escrito:
 a) Quais so os povos indgenas de seu estado?
 b) Que terras eles habitam e qual a situao legal dessas terras?
 c) Que diferenas e semelhanas existem entre o lugar onde voc mora e o que esses povos indgenas habitam?
<R->

Refletindo e produzindo com
  Taguat e sua turma

  Responda oralmente:
<R+>
1. Qual foi o motivo da animao do professor Valrio quando chegou  escola da aldeia Tekoa Sapukai?
 2. Na foto a seguir aparece o lixo de Mongagu, situado em rea prxima  aldeia Itaoca,
<p>
  em 1999. Voc sabe o que  um lixo?

_`[{um homem, uma mulher, um cavalo e alguns urubus no meio de enorme quentidade de lixo_`]
 Legenda: Por mais de 20 anos, esse lixo da cidade de Mongagu 
(SP), de rea equivalente a vrios quarteires em plena encosta da 
Serra do Mar, recebeu milhares de toneladas de lixo. Em 2003, foi 
anunciado um projeto para a construo de um aterro sanitrio nesse 
local. Entretanto, h inmeros lixes como esse espalhados pelo 
Brasil e em outros pases pobres no mundo. Neles, seres humanos 
disputam com urubus os restos de tudo o que  descartado diariamente 
pelas pessoas que vivem nas cidades. Ser que os lixes afetam apenas 
os catadores de lixo e a populao que vive prxima deles?
<R->

<58>
<p>
<R+>
3. Faa uma pesquisa para responder as questes a seguir. Registre suas concluses.
 a) Quanto tempo  necessrio para que papis, plsticos, vidros e metais sejam decompostos no meio ambiente?
 b) O que  coleta seletiva de lixo?
 c) Por que esse tipo de coleta de lixo  importante?

  Responda oralmente:
 4. Em sua opinio, que tipo de mudanas cada um de ns pode adotar nos hbitos do dia-a-dia para produzir menos lixo?

 5. Agora, leia a notcia a seguir:
<R->

Guarani catam comida e latinhas
  no lixo de Mongagu

  Crianas e adultos *Guarani-Nhandeva* e *Guarani-Mby*, das aldeias Itaoca e *Aguape*, catam diariamente comida e latinhas no lixo municipal de Mongagu, no litoral sul de So Paulo.
  As latinhas de refrigerante e de cerveja so vendidas a 70 centavos o quilo no prprio lixo, ligado s terras indgenas Guarani de Itaoca e Guarani de Aguape.
  Os alimentos recolhidos, mesmo que estejam estragados, so levados s aldeias. Essas ficam a menos de um quilmetro do lixo e por isso esto cheias de ratos, baratas e moscas. Os restos de comida alimentam crianas famintas e que sofrem de muitas doenas por causa dessas condies de vida.
  Ao se alimentar dos restos do lixo e ao mexer com cacos de vidro, 
ferros retorcidos, plsticos pontiagudos e lixo contaminado por 
produtos qumicos, os Guarani correm o risco de se ferir ou con-
<p>
 trair doenas que podem levar  morte.

<R+>
Adaptado do texto de Mariana K. Leal Ferreira, publicado pelo 
Instituto Socioambiental em 20 jul. 1999. Disponvel no *site* do 
ISA: ~,http:200.170.199.245
  nsadetalhe?id=848~,. Acesso 
em: 17 mar. 2004.
<R->

<59>
<R+>
 6. De acordo com as informaes do texto que voc acabou de ler e da referncia desse texto, citada no final, responda por escrito s questes:
 a) Em que ano foi escrita essa notcia?
 b) Quem a escreveu? 
 c) Quem publicou a notcia?
 d) Como se alimentavam as crianas Guarani das aldeias Itaoca e Aguape?
 e) A que riscos essas crianas estavam expostas, vivendo to prximas do lixo de Mongagu?
 f) O que voc pensa sobre as condies de vida dessas crianas?
 g) Voc conhece outras crianas no-indgenas que vivem em condies parecidas? Onde elas vivem? Em que condies?

7. Faa uma pesquisa para responder as questes a seguir. Registre suas concluses.
 a) O lixo municipal de Mongagu, no litoral sul de So Paulo, citado na notcia, ainda existe?
 b) Em caso afirmativo, ele continua afetando as populaes indgenas de Itaoca e de
  Aguape?
 c) Sua cidade tem problemas com lixes irregulares?
<R->

<R+>
 Brasil rico e bonito por natureza... mas por quanto tempo?
<R->

  A beleza e a riqueza natural do Brasil, que nos enchem de orgu-
<p>
 lho, j foram cantadas em prosa e verso e continuam a atrair a ateno de turistas e empresas do mundo todo.
<60>
  Mas essa beleza e riqueza j correram e ainda correm srios riscos, 
como voc pde observar na descrio da fotografia que retrata o 
lixo de Mongagu em 1999, localizado, na poca, na encosta da Serra 
do Mar. Nessa regio, na ocasio em que a foto foi tirada, um dos 
fragmentos de Mata Atlntica que ainda restam espalhados no territrio brasileiro estava ameaado pela poluio, provocada pelo lixo que contamina o solo, a gua e o ar, e tambm pelo desmatamento.
  A Mata Atlntica  uma das mais diversificadas formaes vegetais 
de nosso pas. Chamamos de formao vegetal um grande conjunto de 
plantas nativas que caracteriza uma determinada regio. Alm
<p>
 da Mata Atlntica, o Brasil tem outras grandes formaes vegetais. A maior de 
todas em extenso  a Floresta Amaznica; a segunda  o cerrado.
  Nessas grandes formaes vegetais existe uma enorme variedade de plantas e animais.

<61>
<R+>
1. Observe atentamente a descrio dos mapas a seguir.

1- Cerrado no Brasil

_`[{o mapa destaca a regio do cerrado: todo o estado de Gois e 
parte dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondnia, 
Amap, Tocantis, Maranho, Piau, Bahia, 
Minas Gerais_`]
<p>
2- Terra indgena na regio do cerrado em Mato Grosso

_`[{o mapa destaca a regio preservada, as aldeias indgenas, pequena 
rea desmatada e a regio desmatada para plantaes. A legenda,  seguir, define as reas destacadas_`]
 Legenda: rea no-indgena, desmatada para plantaes; terra indgena, com rea de cerrado preservada.

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

<R+>
 2. No mapa 1, intitulado "O cerrado no Brasil", h uma faixa rosa 
que se estende por dez estados brasileiros corresponde  rea ocupada 
pela segunda
<p>
  maior formao vegetal brasileira.
  Responda oralmente:
 o De acordo com o ttulo do mapa e com o que voc leu no texto anterior, qual  o nome da segunda maior formao vegetal brasileira?

3. De acordo com a legenda do mapa 2, intitulado "Terra indgena na regio do cerrado em Mato Grosso", procure responder:
 a) Que populao vive na rea preservada?
 b) Que populao vive na rea desmatada para plantaes?
 c) Em sua opinio, qual das populaes conserva mais a natureza? Por qu?

<62>
<p>
 4. Observe a descrio do cartaz abaixo criado pela Associao Xavante *War*.
  
_`[{desenho de uma palmeira buriti no meio do cerrado e duas araras. 
Abaixo do deseho l-se: *Ts'Rebtn R H* -- Salve o cerrado_`]
 Legenda: Este  um cartaz de uma campanha lanada em 2000 pelo povo 
Xavante. Por meio da Associao Xavante War, eles se organizaram 
contra o desmatamento do cerrado. "Ts'Rebtn R H", na lngua Xavante, quer dizer "Salve o cerrado".

<R+>
5. Agora responda por escrito:
 a) O que voc acha que acontece aos seres vivos (especialmente aos animais) que vivem em uma regio desmatada? Explique.
 b) Por que voc acha que o povo Xavante criou uma associao para salvar o cerrado?
<p>
 c) O que o povo Xavante e todos os interessados em conservar e preservar o meio ambiente podem fazer para impedir a destruio do cerrado?

<63>
6. Observe a descrio do desenho feito por um jovem Guarani da aldeia Itaoca.
 
_`[{uma aldeia indgena dividida por uma cerca: de um lado aparecem homens derrubando rvores, do outro um casal de retirantes_`]
 Legenda: Ns tnhamos muita mata. Entrou homem branco e cercou pelo meio e derrubou muita mata, de Celso Benites, jovem Guarani da aldeia Itaoca, em Mongagu (SP), 1999.
 
 a) Agora, releia na histria de Taguat-Mirim o dilogo entre ele e o professor Valrio sobre os graves problemas causados pelo desmatamento s culturas indgenas.
 b) De acordo com o que voc j sabe sobre a importncia das matas nativas para a sobrevivncia dos povos indgenas, redija um texto explicando por que essas matas devem ser preservadas.
<R->

  Desde 1995 os Guarani-Mby da aldeia Tekoa Sapukai conseguiram que a Justia brasileira legalizasse as suas terras, transformando-as em uma reserva indgena. Assim, a rea onde se localiza a aldeia e uma parte da mata na Serra da Bocaina s pode ser utilizada pela populao indgena residente.
  Os Guarani, com sua luta, conquistaram o direito de ter um posto de sade com atendimento mdico peridico e uma escola de ensino fundamental com merenda diria. Eles contam ainda com o apoio tcnico de professores e universitrios da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e de outras instituies governamentais e no-governamentais. Mesmo assim, os problemas que os Guarani de Tekoa Sapukai enfrentam no so poucos: as terras pertencentes a eles, apesar da beleza natural das matas, apresentam dificuldades para o plantio, pois o terreno  pobre em nutrientes, alm de muito acidentado.

<64>
<R+>
7. Agora observe a descrio da foto.

_`[{silos e imensos galpes entre o mar e as montanhas_`]
 Legenda: Usina Nuclear de Angra I e Angra II, Angra dos Reis (RJ), 2000.
<R->

  Prximo  aldeia Tekoa
 Sapukai no h nenhum lixo, como os que afetam algumas populaes 
indgenas e no-indgenas da atualidade. Entretanto, ao lado das terras dessa aldeia esto localizadas as usinas nucleares de Angra I e Angra II. Os Guarani da aldeia Tekoa Sapukai chamam essas usinas de "engenho do homem branco". Eles tambm vivem preocupados, pois, se acontecer algum acidente nessas usinas nucleares, temem no receber socorro, j que nos dias de chuva a regio de Bracu, na Serra da Bocaina, onde se situa a aldeia, fica completamente isolada.

<R+>
8. Agora, faa uma pesquisa e procure descobrir:
 a) Para que serve uma usina nuclear?
 b) Quais as conseqncias de um acidente em uma usina nuclear? Que riscos corre a populao que vive prxima dessas usinas nucleares?
 c) Em que perodo da Histria brasileira iniciou-se a construo das usinas nucleares de Angra I e de Angra II?
<R->
<p>
Pequeno retrato do Brasil
  "urbano"

  Voc se lembra do trecho da histria de Taguat-Mirim no qual ele "bombardeia" o professor com perguntas sobre o "povo da cidade"? Vamos, ento, conhecer um pouco mais sobre a populao que vive nas cidades? Quantas pessoas so? Como vivem?
  Nosso pas tem mais de 5 mil municpios. Os municpios so unidades administrativas governadas pelos prefeitos. Eles podem ser formados por reas urbanas e reas rurais.
<65>
  Segundo os dados do ltimo censo realizado pelos funcionrios do 
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica), em 2000, no 
Brasil, 11 municpios (o que equivale a 0,2% do total dos municpios 
brasileiros) tinham mais de 1 milho de habitantes, e, juntos, 
totalizavam 29 milhes de pessoas. Entretanto, 75% dos municpios 
brasileiros (ou seja, a maioria) eram formados por uma populao de 
at 20 mil habitantes, totalizando 33,9 milhes de pessoas. O Censo 
2000 tambm apurou que a maioria da populao brasileira vive nas 
cidades e no no campo, isto , vive nas reas consideradas urbanas e 
no nas reas rurais.
  Vamos descobrir um pouco mais sobre a distribuio da populao brasileira no territrio nacional?

<R+>
1. Observe a descrio do mapa a seguir.

Brasil: densidade demogrfica 
  -- 2000
  
<R+>
_`[{o mapa destaca as regies mais povoadas: Sudeste, Sul e Nordeste; as regies menos povoadas: Norte e Centro-oeste_`]
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

<R+>
 2. De acordo com as informaes do mapa, responda oralmente:
 a) Que regies do nosso territrio so mais povoadas?
 b) E quais so as regies menos povoadas?
<R->

<66>
   Segundo os dados do Censo 2000, 70 em cada 100 pessoas vivem nas cidades, ou seja, a maioria da populao brasileira concentra-se nas reas consideradas urbanas.
  Ao saber desses dados e ao analisar o mapa Brasil: densidade demogrfica, voc provavelmente concluir que existem grandes reas do Brasil quase despovoadas ou habitadas por pouqussimas pessoas.

  Responda  por escrito:
<R+>
 3. Em sua opinio, por que isso acontece?
<R->
<p>
<R+>
Ser o Brasil um pas urbanizado?
<R->

  Para responder a essa pergunta, voc precisa saber o que uma rea necessita ter para ser considerada urbanizada. Ela precisa oferecer aos seus moradores uma srie de condies que contribuam para melhorar a qualidade de vida, como ter uma boa infra-estrutura (rede de gua e esgoto, fornecimento de energia e telefonia etc.), e oferecer alguns servios para seus habitantes, como sistema de transporte coletivo eficiente (nibus, metr, trem), rede de hospitais, estabelecimentos de ensino e reas de lazer e cultura (parques, praas, cinemas, teatros, bibliotecas etc.).

  Responda oralmente:
<R+>
1. Sua cidade conta com todos esses servios?
 2. Como voc j sabe, a maioria da populao brasileira, dos mais de 5 mil municpios do nosso pas, vive em reas urbanas. Ser que essas reas consideradas urbanas pelo IBGE tm todas as caractersticas que acabamos de descrever?
<R->

  Vamos descobrir a resposta da pergunta acima analisando alguns dados do Censo 2000.
<67>
  Cinemas, livrarias e videolocadoras so alguns dos lugares em que podemos adquirir produtos culturais. Em todos eles temos de pagar pelos produtos oferecidos. Muitas pessoas que vivem em nosso pas no tm recursos para isso e, mesmo se tivessem, a maioria dos municpios no conta com esses estabelecimentos.
  Em 2000, no Brasil, havia uma sala de projeo para cada 100 mil habitantes e, nos pases desenvolvidos, uma sala de cinema para cada 30 mil habitantes. Alm disso, em 98% dos municpios brasileiros com at 20 mil habitantes no h salas de cinema.
<p>
  Responda oralmente:
<R+>
3. Que outros espaos culturais as pessoas que vivem nas cidades podem freqentar?
<R->

  Em 69% dos municpios brasileiros existe apenas uma biblioteca, em 84% no h museus e em 86% no h teatros.
  Dados do MEC (Ministrio da Educao e Cultura) divulgados pela imprensa, em 2000, informam que 50% das escolas estaduais e 90% das municipais do Ensino Fundamental no Brasil no tm bibliotecas.

<R+>
4. Na sua escola h biblioteca? Caso haja, voc costuma fre-
  qent-la?
 
  Responda por escrito:
 5. Imagine que voc vai escrever uma carta para Taguat-Mirim contando a ele como o povo da sua cidade vive, a quais servios, pblicos ou no, a maioria da populao tem acesso e como  a qualidade desses servios. O que voc escreveria?
<R->

 Para saber mais

<R+>
 *Coisas de ndio*, de Daniel Munduruku. So Paulo: Callis, 2000.
 *Dar Idz'uhu Watsu'u: A histria da aldeia Abelhinha*, de Lucas Ruri' e Helena
  Stilene de Biase. So Paulo: Master Book, 2000.
 *Histrias de verdade*, de Aracy Lopes da Silva e Carolina Young. So Paulo: Global, 2000.
 *Viagem ao mundo indgena*, de Lus Donisete Benzi
  Grupioni. So Paulo: Berlendis & Vertecchia, 1997.
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<68>
<p>
<R+>
2- Abolio: uma histria feita
  por negros e brancos

Cadeira de balano:

 Somos espectadores ou atores da Histria?
<R->

  As crianas da turma de Marina seguiam os movimentos do professor 
de capoeira, mestre Andr: corta-capim (**), bananeira (**) e 
meia-lua (**). Aps o jogo, mestre Andr formou novamente a roda para contar para a turma um pouco da histria da capoeira:
  -- Crianas, vocs sabem que a capoeira  um jogo que ao mesmo tempo  uma luta e uma dana, no sabem?
  -- Sim! -- responderam todas as crianas da roda.
  -- Mas provavelmente vocs no sabem que a capoeira foi utilizada com vrios objetivos durante a histria do Brasil e que foi tratada de diferentes maneiras pela sociedade e pelas autoridades.
  -- Como assim, mestre Andr? -- perguntou Marina.
  -- Como luta, a capoeira, muitas vezes, serviu para que os escravos se defendessem dos capites-do-mato, que eram os homens especializados em procurar e capturar escravos fugitivos. s vezes serviu, tambm, como defesa contra os capatazes, homens que castigavam os escravos que no cumpriam as ordens estabelecidas.
<69>
  -- Disso eu sabia, mestre Andr! Nas aulas da professora Luciana 
sobre a histria da escravido, ns estudamos sobre o trfico de 
escravos, sobre as religies afro-brasileiras, os quilombos (**) e um pouco sobre a capoeira. Neste ms ns estudamos a Abolio da escravido no Brasil -- acrescentou Marina.
  -- timo, Marina, conhecer a nossa histria  muito importante. J que vocs estudaram tanto, ento me digam: e depois da Abolio, o que aconteceu com a capoeira?
  -- Ah! Isso no aprendemos, no... -- disse Guilherme. Ns aprendemos que a princesa Isabel assinou a Lei urea em 13 de maio de 1888.Assim, ela acabou com a escravido no Brasil. E se no tinha mais escravos nem capito-do-mato depois da Lei urea, ento ser que os capoeiristas foram contratados para ensinar capoeira nas escolas, como o senhor faz com a gente, mestre Andr?  isso? Antes que o professor pudesse responder, Marina corrigiu o colega:
  -- Guilherme, no foi isso que ns aprendemos! Voc sabe muito bem que o fim da escravido no foi assim! Do jeito que voc falou, parece que a Abolio foi um presente da princesa Isabel! E os escravos?! Voc se esqueceu de que eles lutaram muito pelo fim da escravido? T vendo o que d ficar conversando e no prestar ateno nas discusses?
  --  mesmo, Guilherme -- confirmou Vitria. -- Voc estava no meu grupo e parece que no pesquisou nada! A gente estudou tanto! Pesquisamos sobre como os escravos resistiam: estudamos sobre os quilombos, as fugas dos escravos, as revoltas, sobre como eles procuravam resistir  escravido no dia-a-dia nas fazendas.
<70>
  -- Lembre-se do que a professora Luciana contou pra gente -- continuou Vitria. -- Os escravos no eram sempre obedientes. s vezes eles transformavam a vida do senhor num inferno: atrapalhavam as vendas, estragavam a produo de acar, tudo isso eram formas de lutar contra a escravido!
  --  mesmo -- acrescentou Marina. -- Nossa professora disse que, s vezes, eles quebravam as ferramentas e at deixavam o caldo-de-cana passar do ponto. Assim ele no prestava mais pra fazer os pes de acar.
  -- E tem mais... -- completou Frederico. -- Quase no tinha escola no Brasil dessa poca e a maioria do povo brasileiro era analfabeta! Ento no seria possvel os capoeiristas darem aulas nas escolas, n?
  Guilherme ficou em silncio com a bronca dos amigos, e mestre Andr interferiu:
  -- Calma, pessoal! Guilherme tem direito de dar suas opinies, no tem?
  -- Tem... -- Vitria e as outras crianas reconheceram.
  Mestre Andr prosseguiu, aconselhando Guilherme:
  -- Guilherme, por outro lado, seus colegas tm razo ao dizer que voc deve participar das discusses, prestar mais ateno nas aulas e fazer as pesquisas.  assim que a gente aprende, certo?
  O garoto balanou a cabea, demonstrando que concordava, e mestre Andr continuou a falar:
  -- Frederico, voc est certssimo. No final do sculo XIX e incio do sculo XX escolas eram raridade em nosso pas. Alm disso, nesse perodo, os governantes no eram obrigados pela lei a construir escolas pblicas. Ento s estudavam aquelas pessoas cujas famlias podiam pagar os estudos.
<71>
  E mestre Andr continuou:
  -- Quanto  capoeira, ela s passou a ser ensinada muito tempo 
depois, entre as dcadas de 1930 e 1940, e s em algumas escolas. Mas 
nas ruas ela continuou existindo. Aps o fim da escravido, os 
capoeiristas muitas vezes foram utilizados por polticos e homens 
muito ricos e poderosos para intimidar eleitores. Esses homens poderosos contratavam alguns capoeiristas durante as eleies para aterrorizar os eleitores, fazendo com que muitos no fossem votar, com medo de apanhar.
  -- Nossa! Que coisa! Esses no eram bons capoeiristas, mestre Andr!
  -- Marina, isso no  to simples. Esses capoeiristas sabiam muito bem o seu ofcio, seno no seriam contratados por esses polticos covardes.
  -- Mas o senhor mesmo diz que toda vez que nos juntamos numa roda para jogar, gingar, danar e cantar os ritmos afro-brasileiros ao som do berimbau, atabaque, pandeiro, ns devemos fazer isso com o corao em festa, revivendo um esprito de comunho dos antigos escravos que inventaram a capoeira...
  --  verdade, Marina, e vocs nunca devem perder isso de vista. Mas 
no podemos nos esquecer tambm do contexto (**) em que esses capoeiristas, de quem estamos falando, viviam. Lembrem-se: enquanto a escravido durou no Brasil, a imensa maioria dos escravos no tinha chance de se manifestar como desejava, e mesmo depois da Abolio e da instalao do governo republicano, em 15 de novembro de 1889, a maioria do povo negro continuou sem ter muitos de seus direitos garantidos para expressar suas culturas... Esses capoeiristas no faziam uma roda de comunho, eles apenas usavam a capoeira como um meio de sobrevivncia, eram pagos para assustar os eleitores.
  -- Mas isso no  certo, professor -- insistiu Marina.
<72>
  E mestre Andr falou:
  -- No estou afirmando que  certo ou errado. Estou propondo que vocs reflitam a respeito. No  simples julgar o que se passava na cabea desses capoeiristas. Por que ser que aceitavam dinheiro para amedrontar os eleitores com seus golpes de capoeira?
  -- Quem podia votar? -- perguntou Gabriel.
  -- Pouqussimas pessoas: somente os homens, adultos maiores de 21 anos, brasileiros e alfabetizados. Essas exigncias excluam a imensa maioria das pessoas que viviam aqui!
  -- Ah, mestre! Talvez seja por isso. Como quase ningum podia votar, esses capoeiristas deviam pensar que no tinham nenhum compromisso com os poucos eleitores que podiam...
  -- Pode ser, Gabriel,  uma boa hiptese, mas, neste caso, quem ser que deveria ter compromisso com os eleitores? Os polticos ou os capoeiristas?
  -- Mestre Andr, lgico que so os polticos! -- respondeu 
rapidamente Marina. -- Todos os polticos devem ter compromisso com o 
povo, j que eles nos representam... Mas, pelo que o senhor acabou de nos contar, no tinha povo no Brasil dessa poca. Afinal, quase ningum podia votar e quem podia no conseguia votar direito, com medo dos capoeiristas!
  -- Marina, voc est coberta de razo. Um escritor brasileiro, chamado Lima Barreto, que era negro e viveu no incio do governo republicano no Brasil, uma vez escreveu algo assim: "O Brasil no tem povo, s tem pblico".
<73>
  -- Vocs sabem o que ele queria dizer com isso? -- continuou mestre Andr.
  -- Mestre Andr -- disse Marina --, eu penso que povo  um conjunto 
de cidados, e cidados s existem quando existe democracia (**). Pra mim, portanto, existe povo quando todas as pessoas que vivem num determinado lugar tm direitos e deveres. No basta apenas votar,  preciso que os nossos direitos sejam respeitados.
  -- Marina, acho que as suas definies de povo, cidadania e democracia esto timas! Lima Barreto provavelmente concordaria com voc, pois, para ele, a grande maioria das pessoas que aqui viviam no podiam ser consideradas cidads porque no eram respeitadas como tais. O povo, como voc disse, precisa ter seus direitos respeitados, como tambm precisa cumprir seus deveres para a democracia funcionar. Mas, naquela poca, infelizmente, para os governantes, as pessoas s tinham deveres...
  -- Mas, se grande parte das pessoas do Brasil dessa poca no tinha direitos e no podia se manifestar, como  que esses capoeiristas podiam agir? Eles no eram presos pelos policiais da poca, por exemplo? -- perguntou Vitria.
  -- Boa pergunta, Vitria. De fato, no se podia jogar capoeira livremente. Dois anos depois da Abolio, em 1890, foi votada uma lei que determinava que quem fosse pego jogando capoeira deveria ir para a cadeia. Mas, como vocs j devem ter percebido, no Brasil desse tempo quem tinha terra e posses tinha poder e fazia e desfazia as leis. Portanto, se na poca de eleies os poderosos quisessem fazer uso dos capoeiristas, os policiais no apareciam para proibi-los, porque os agentes da polcia tambm eram controlados por esses poderosos...
<74>
  -- Nossa! Ser pobre, sendo negro ou branco, e ainda mais se fosse mulher, era bem difcil, n, mestre? -- perguntou Augusto, que at aquele momento s havia assistido ao debate.
  -- Ah, Augusto! Faa-me o favor! -- disse Vitria, bastante irritada. -- Hoje em dia tambm  difcil ser pobre, negro, mulher, indgena, morador de rua... Ser que alguma vez na histria do Brasil as pessoas tiveram de verdade os tais direitos que o "povo" deve ter?! Pra mim, o Lima Barreto estava certo: naquela poca no tinha povo e ainda hoje no tem. Acho que o povo brasileiro est mais pra pblico. Ns s ficamos assistindo  histria acontecer... s vezes aplaudimos, outras vezes vaiamos... Mas os anos passam e poucas coisas mudam...
  -- Calma, crianas! -- interveio mestre Andr. -- Ns acabamos de reconhecer que  preciso ouvir o outro, respeitar a opinio de cada um, seno no poderemos aprender a viver democraticamente, no  mesmo?
  E, voltando-se para Augusto, mestre Andr disse:
  -- Augusto, voc tem razo, era mesmo muito difcil ser povo numa poca de tantos desmandos.
  Depois, o professor olhou para Vitria e prosseguiu:
  -- Vitria, realmente ainda temos muito o que fazer para que todos que aqui vivem tenham voz e vez. Ns temos de lutar contra os preconceitos que muitas pessoas em nossa sociedade ainda tm. Temos de trabalhar para eliminar as grandes diferenas sociais... Mas ser que nada mudou? Afinal, hoje, temos leis que determinam que qualquer forma de discriminao  crime. As leis no evitam que algumas pessoas sejam preconceituosas, mas, por meio delas, a Justia pode punir aqueles que discriminam algum.
<75>
  E mestre Andr continuou falando para a turma:
  -- Hoje, qualquer cidado brasileiro com mais de dezesseis anos pode votar, independentemente da cor da pele, do sexo, da origem social, da escolaridade... A capoeira, atualmente,  praticada em muitas escolas, por pessoas de todas as origens. Enfim, como foi possvel que todas essas mudanas acontecessem? Ser que todas elas foram dadas ao povo brasileiro?
  -- No, professor, o senhor tem razo, muitas pessoas trabalharam para mudar isso  concluiu Vitria.
  -- Pois ento, crianas! Ns construmos a nossa prpria histria, de um jeito ou de outro. Vocs mesmos, ao me falarem sobre o fim da escravido no Brasil, disseram-me que os escravos, apesar das dificuldades, lutaram para que ela acabasse...
  Mestre Andr foi interrompido pela campainha da escola, que sinalizava o fim da aula, e, ento, concluiu a conversa com a seguinte questo:
  -- Ser que Lima Barreto estava inteiramente certo ao dizer que o Brasil no tinha povo, s tinha pblico?
  As crianas foram saindo bem devagar, muito pensativas, refletindo sobre tudo o que discutiram na aula de mestre Andr.

<76>
Rota de viagem

<R+>
 1. Observe a descrio das imagens a seguir e leia a legenda que as acompanha.

_`[{foto: multido rodeia o Pao Imperial_`]
 Legenda: No dia 13 de maio de 1888, na cidade do Rio de Janeiro, que na poca era a capital do Brasil, cerca de 10 mil pessoas rodearam o Pao, ou seja, o palcio onde governava o Imperador do Brasil, D. Pedro II. Todos os presentes aguardavam a assinatura da Lei urea.

_`[{parte do documento da Lei urea:
  Lei 3.352 de 13 de maio de 1888 
  Declara extincta a escravido no Brasil
  (...)
  Dado no Palacio do Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1888 -- 67 da Independencia e do Imperio_`]
 Legenda: Documento original da Lei urea, que legalmente ps fim  escravido no Brasil.

 2. Agora responda oralmente:
 a) Em que data e por quem foi assinado o documento da Lei urea?
<77>
 b) Em sua opinio, por que a assinatura desse documento foi to festejada?
 c) Voc conhece outro fato na histria do Brasil que foi to comemorado?
<p>
 3. Observe atentamente a descrio do smbolo abaixo:

_`[{logotipo do movimento Negro Unificado: a sigla MNU aparece acima 
de trs mos negras que seguram uma lana. Abaixo, l-se: Segure e 
Lance_`]

 a) Voc j viu esse smbolo?
 b) Voc sabe o que ele representa?
<R->

<R+>
 Refletindo e produzindo com Marina, mestre Andr e a turma da capoeira
<R->

  A turma de Marina refletiu sobre a histria do nosso pas com base na histria da capoeira.

  Responda oralmente:
<R+>
 1. Voc j participou de uma roda de capoeira? J viu alguma?
 2. Se voc j participou de uma roda de capoeira, o que achou dessa experincia?
 3. Por escrito, faa uma pequena linha do tempo da histria da capoeira no Brasil baseando-se nos acontecimentos narrados na crnica de Marina.
<R->

<78>
Pequena histria da Abolio:
  escravos, abolicionistas e leis

  Por quase 400 anos a escravido existiu em nosso pas. Durante esse 
perodo, exceto os escravos, que eram capturados na frica ou 
nascidos em territrio americano, e poucas pessoas livres que no 
aprovavam a existncia da escravido, os demais grupos da sociedade, 
no continente europeu e americano, no viam como algo ruim o fato de 
escravizar pessoas, forando-as a trabalhar para se apro-
 priar dos frutos de seu trabalho.
  Durante todo o perodo em que a escravido existiu em nossas terras, os escravos lutaram contra ela.
<p>
<R+>
 1. Releia a crnica de Marina e escreva algumas das formas de resistncia dos escravos contra a escravido.

 2. Leia atentamente o texto a seguir.
<R->

  A partir da segunda metade do sculo XIX, alm dos escravos, muitas pessoas livres comearam a criticar a escravido e principalmente a lutar pelo seu fim.
  Os historiadores apontam muitas causas para o fim da escravido: 
interesses econmicos, polticos e sociais. Mas havia um motivo 
especial: a mudana na mentalidade das pessoas, ou seja, a mudana de 
idias em relao  escravido, que deu origem aos movimentos 
abolicionistas (**).
  Por volta de 1850, as pessoas comearam a ter mais conscincia de 
que escravizar algum era algo injusto, que todos os seres humanos 
nasciam iguais e assim deviam ser tratados pelas leis. Ideais 
humanitrios (**) e de justia moviam esses grupos de pessoas. Alguns 
deles desejavam mudanas efetivas e imediatas; outros, mais 
moderados, tentavam agir dentro das leis do pas, procurando mud-las 
pacificamente para que no houvesse mais escravido.
  As pessoas que lutavam pelo fim da escravido eram professores, jornalistas, advogados, engenheiros, escritores; enfim, eram mulheres e homens, negros e brancos que passaram a juntar seus esforos aos dos escravos para lutar pela Abolio da escravido. Essas pessoas fundavam associaes, escreviam artigos em jornais, faziam comcios, arrecadavam dinheiro para comprar a liberdade dos escravos, ajudavam a organizar fugas de escravos das fazendas etc.

<79>
<p>
Alguns abolicionistas

<R+>
 Lus Gama: jornalista, poeta, advogado
 Joaquim Nabuco: diplomata, jornalista, historiador
 Andr Rebouas: professor, engenheiro, economista
 Jos do Patrocnio: jornalista, escritor
<R->

<R+>
3. Agora, responda por escrito:
 a) De acordo com o texto, que grupo de pessoas desejava o fim da escravido no Brasil e lutou contra ela?
 b) O movimento abolicionista ganhou fora em nosso pas especialmente em que poca?
 c) Quais eram as aes dos abolicionistas para lutar contra a escravido?

<80>
<p>
 4. Observe atentamente a linha do tempo de algumas leis reproduzida a seguir:

_`[{na linha do tempo as leis foram representadas por desenhos correspondentes_`]

 1850 :> '''''
 1871 :> ''''' 
 1885 :> '''''
 1888 :> '''''
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

<R+>
5. Agora, faa uma pesquisa para descobrir: do que trata cada lei registrada na linha do tempo?

 6. Reflita e responda oralmente:
 a) Se voc fosse um senhor de escravos, como agiria ao saber que a lei de 1871 havia sido aprovada?
<p>
 b) Como voc acha que seus escravos reagiriam ao descobrir a existncia dessa lei?
 c) Se voc fosse filho ou filha de uma escrava, no Brasil, nascido(a) aps a lei de 1871, como se sentiria quando crescesse e pudesse entender o que essa lei determinava? Por qu?

 7. Entre as inmeras discusses que aconteceram na aula de mestre Andr, Guilherme fez uma afirmao referente  libertao dos escravos que foi combatida por Marina, Vitria e Frederico.
 a) Qual foi a afirmao feita por Guilherme?
 b) Por que Marina e seus colegas discordaram de Guilherme?
<R->

<81>
13 de maio: comemorar ou no? 
  Eis a questo!

  O dia 13 de maio de 1888, data em que foi legalmente abolida a escravido no Brasil, foi muito festejado.
  Durante vrios anos essa data continuou sendo muito comemorada no Brasil. Atualmente muitas pessoas preferem reviv-la como um dia de protesto em vez de celebrao. Vamos entender por qu?

<R+>
 1. Leia com ateno os depoimentos reproduzidos a seguir, procurando descobrir qual a opinio de cada um sobre o dia 13 de maio.

 A. Depoimento concedido em 1981 por dona Maria Benedita da Rocha, conhecida como Maria Chatinha, ex-escrava que trabalhou em fazendas paulistas e cariocas.
<R->

  "Eu tava com 18 anos, me lembro que no dia que foi a Liberdade, 
quando levanto de manh cedo, os escravo varreram aquele terreno que 
no tinha mais tamanho. Deixou aquilo tudo limpo e todo mundo se 
vestiu. Meio-dia era que ia grit, l a carta. A quando grit a 
Liberdade... ah! Meu Deus!, como a negrada gritava, como cantava!, 
como danava baile, caxambu (**), caqueret (**), mazuca (**), jogue 
(**) e cantava, eu ainda me lembro! Nunca eu me esqueo disso!"

<R+>
Adaptado do livro *Depoimentos de escravos brasileiros*, de Mrio Jos Maestri Filho. So Paulo: cone, 1988. p. 43-53.

B. Depoimento concedido em 1982 por Mariano dos Santos, ex-escravo que trabalhou em fazendas do norte do Paran.
<R->

  "E depois que a princesa Isabel com Do Pedrinho teve esta caridade, ento  que eu digo, que agora nis tmo na glria. Tanto eu como todo o povo quer ir numa festa, vai; quer ir num passeio, vai; quer ir num lugar e no tem quem diga voc no coma ou voc no se divirta, ou no vai em tal lugar. Ento  como eu digo, como eu falo: que tanto eu como este povo novo, de agora, depois da Libertao, tmo na glria."

<R+>
Adaptado do livro *Depoimentos de escravos brasileiros*, de Mrio Jos Maestri Filho. So Paulo: cone, 1988. 
  p. 26-39.
<R->

<82>
<R+>
 C. Depoimento de Kabengele Munanga, professor de Antropologia na 
Universidade de So Paulo, que nasceu na Repblica Democrtica do 
Congo, na frica. O professor Kabengele vive no Brasil h mais de 
vinte e cinco anos e se naturalizou (**) brasileiro.
<R->

  "A comunidade negra entende que a data de 13 de maio representa uma abolio formal da escravatura. A abolio no significou a libertao de fato do negro; no houve uma verdadeira abolio.
  A comunidade negra d mais importncia ao 20 de novembro, dia da morte do lder Zumbi, o Dia Nacional da Conscincia Negra. Essa  a data que mobiliza a comunidade negra para uma reflexo mais profunda, coisa que o 13 de maio, pelo motivo citado acima, no faz.
  O dia da abolio da escravatura, porm, continua a ter importncia jurdica, pois nessa data a escravatura deixou de existir. Porm, no adquiriu uma importncia social porque, alm desse ato, deveriam ter sido implantadas polticas pblicas para a integrao e participao do ex-escravo na sociedade para que o negro obtivesse a cidadania plena."

<R+>
 "Para que serviu a Lei urea?". Texto disponvel em: 
~,http:ywww.klickeducacao.~
  com.br~,.

2. Agora registre:
 a) Qual  o nome do(a) autor(a) de cada depoimento?
 b) O que faz ou fez cada uma dessas pessoas?
 c) Qual  o nome que cada uma delas d para o dia 13 de maio de 1888?
 d) Qual a opinio de cada uma sobre o dia 13 de maio de 1888? Por qu?
 e) E quanto a voc? Qual a sua opinio sobre o 13 de maio?

3. Releia o depoimento do professor Kabengele Munanga e responda: qual data a comunidade negra considera mais importante para sua histria? Por qu?

<83>
4. Faa uma pesquisa para descobrir ou recordar:
 a) O que eram os quilombos e qual sua importncia no perodo da escravido?
 b) Quem foi Zumbi? Onde ele nasceu?
 c) Quando e por que ele morreu?
<R->
<p>
 Ps-abolio: racismo e excluso

  No dia 15 de maio de 1888, o jornal *O Paiz* registrava a seguinte notcia:
  Continuaram ontem os festejos em regozijo pela passagem da Lei urea da extino da escravido. A rua do Ouvidor esteve cheia de povo todo o dia e durante uma grande parte da noite, sendo quase impossvel transitar-se por esta rua. Passaram [...] os estudantes da Escola Politcnica, os empregados da Cmara Municipal e o Club Abraho Lincoln, composto de empregados da estrada de ferro D. Pedro II, todos acompanhados de bandas de msica.

<R+>
 Agora responda oralmente: de acordo com essa notcia, como estava uma das principais ruas da capital do Imprio dois dias depois de proclamada a Lei urea?
<R->

  Essa notcia de maio de 1888 e muitos outros documentos desse 
perodo comprovam que, com exceo dos senhores que perderam seus escravos, a maioria dos brasileiros (negros e brancos) ficou feliz com o fim da escravido e festejou, por dias seguidos, a Abolio no campo e na cidade.
  Mas, depois da Lei urea, era preciso pensar e agir para que os ex-escravos tivessem oportunidades para viver, com dignidade, a nova vida em liberdade.
<84>
  Houve abolicionistas, como Andr Rebouas, que elaboraram projetos para a integrao efetiva dos ex-escravos na sociedade. Naquela poca, ele props que se redistribusse a terra, que fossem criadas escolas para educar essas pessoas e seus filhos. Enfim, que no Brasil fossem feitas reformas que possibilitassem de fato uma verdadeira abolio. Entretanto, projetos como esses no ganharam o apoio dos governantes.
  Os negros, ento, foram sendo marginalizados (**) e o que  mais grave: para justificar a excluso deles da sociedade livre a que tinham direito, alguns intelectuais da poca criaram teorias afirmando que os negros eram inferiores aos brancos.

Brasil em preto-e-branco: os
  dados do preconceito e da
  injustia

  Desde a Constituio de 1988, o racismo  considerado crime em nosso pas. Entretanto, muitas pessoas ainda sofrem discriminaes devido  cor de sua pele.

<R+>
1. Leia com ateno os depoimentos a seguir, recolhidos em uma aula 
pblica sobre racismo, promovida pela Secretaria Municipal de Cultura 
de So Paulo,
<p>
  em 1992. Depois, responda oralmente s questes 
propostas:
<R->

  "Ser brasileiro  sofrer muitas injustias. Para um negro  so-
 frer estas injustias em dobro. O fato de ser pobre j  uma discriminao. Pobre e negro  discriminao dobrada."

<R+>
 Paulo Henrique, motorista.
<R->

  "Ser brasileira negra  saber que voc vai chegar num escritrio e l voc vai ouvir que eles esto precisando de uma secretria de boa aparncia. Secretria de boa aparncia normalmente  loira de um metro e oitenta."

<R+>
 Eliana Aparecida Dias, assistente administrativa.

Depoimentos publicados em: *Ptria amada esquartejada*, coord. Jlio A. Simes e Laura A. Maciel. So Paulo: DPH, 1992. p. 140 e 143.
<R->
<p>
  Responda oralmente:
<R+>
 a) Em que ano foram recolhidos esses depoimentos?
 b) Segundo os depoentes, como os negros eram tratados nessa poca, no Brasil?

<85>
2. Agora observe com ateno os dados das tabelas abaixo. Depois, converse com seus colegas sobre esses dados.
<R->

Tabela 1

Distribuio da populao 
  brasileira por cor da 
  pele -- 2000

<R+>
 branca: 54,1%
 preta: 6,2% 
 parda: 38,7%
<p>
 amarela: 0,4% 
 indgena: 0,4%
<R->

<R+>
Fonte: Elaborada com base nos dados obtidos no site do *IBGE* -- Censo Demogrfico 2000.
Disponvel em: ~,http:www.ibge.gov.br~,. Acesso em: 9 mar. 2004.
<R->

Tabela 2

<R+>
 ndices sociais brasileiros -- Populaes negra e branca -- 2001
<R->

<F->
gua encanada 
  negros: 64,7%
  brancos: 81%

Salrio mdio (em salrios 
  mnimos) 
  negros: 2,43
  brancos: 5,25

Escolaridade 
  negros: 4,5 anos
  brancos: 6,7 anos
<p>
Expectativa de vida 
  negros: 64 anos
  brancos: 70 anos
<F+>

<R+>
Fonte: Adaptada da revista
  *poca*, So Paulo: Globo, ano IV, n. 159, p. 53, jun. 2001.
<R->

<R+>
3. Agora responda por escrito:
 a) O que voc observou na tabela 1?
 b) O que voc observou na tabela 2?
 c) Quais as datas dessas tabelas?
 d) Examinando os dados da tabela 2 e os depoimentos apresentados na atividade 1, podemos dizer que houve mudanas ou continuidades em relao s condies de vida da populao negra no perodo decorrido?
<p>
 4. O que voc pode fazer para que as diferenas entre negros e brancos apontadas na tabela 2 deixem de existir?
 5. Na sua opinio, como diferentes grupos sociais e nossos representantes podem contribuir para que as diferenas da tabela 2 deixem de existir?
<R->

<86>
As cores da luta contra o
  racismo, a discriminao e o
  preconceito

  O povo negro nunca aceitou passivamente o racismo, a discriminao e o preconceito.
  Para lutar pela dignidade dos afro-brasileiros, lideranas ne-
 gras se organizaram na Frente Negra e no Movimento Negro Unificado. Mas a luta contra o racismo e qualquer forma de discriminao deve interessar a todos os brasileiros e brasileiras que desejam construir um pas mais justo e solidrio.

<R+>
1. Leia, a seguir, outros depoimentos sobre o racismo:
<R->

  "Sem combater o racismo, no podemos pensar o Brasil no horizonte, 
Brasil que a gente quer construir, Brasil em que sejamos todos 
respeitados como somos, com as nossas diferenas, Brasil em que todos 
possamos crescer e afirmar a nossa dignidade humana, Brasil em que 
todos possamos ser cidados. O racismo  um obstculo para este pas 
que lutamos para construir."

<R+>
 Edson Cardoso, um dos lderes do Movimento Negro Unificado.
<R->

<87>
  "Ser negro no Brasil  passar por todas as barreiras, preconceito, 
discriminao, racismo, vrias coisas, mas eu gostaria de mandar uma 
mensagem: quando os homens se encontrarem sem se importar com a cor e 
com a raa, no haver sonho
<p>
 mais bonito do que a prpria dignidade 
humana. Ax."

<R+>
Margareth Mesquita, estudante, bailarina afro.

 Depoimentos publicados em: *Ptria amada esquartejada*, coord. Jlio A. Simes e Laura A. Maciel. So Paulo: DPH, 1992. p. 142-3.

 Agora, discuta essas idias com seus colegas e, depois, escrevam as concluses.

2. Releia a pergunta que mestre Andr fez no final da aula de capoeira e reflita sobre tudo o que voc aprendeu neste captulo.
<R->

  -- Ser que Lima Barreto estava inteiramente certo ao dizer que Brasil no tinha povo, s tinha pblico?
<p>
<R+>
3. Agora, responda oralmente: voc concorda com a afirmao do escritor Lima Barreto? Por qu?

Para saber mais

 *A histria dos escravos*, de Isabel Lustosa. So Paulo: Companhia das Letrinhas, 1998.
 *Histrias da Preta*, de Helosa Pires Lima. So Paulo: Companhia das Letras, 2002.
 *Racismo*, de Angela Grunsell. So Paulo: Melhoramentos, 1993.
 *20 de novembro: Dia Nacional da Conscincia Negra*, de Alfredo Boulos Jnior. So Paulo: FTD, 1998.
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<88>
<p>
3- A face do campo

Cadeira de balano:

 Vida severina

  Nos dias quentes, no acampamento de Nova Canudos, onde Ana Ceclia 
mora com sua famlia, as aulas so dadas sob uma lona preta esticada 
embaixo de uma rvore. Mas seu Chico, o professor desse acampamento, 
e os sem-terrinha que estudam com ele no desanimam e as aulas costumam ser bem interessantes, mesmo o lugar no sendo muito confortvel.
  O dia estava quente e muito seco. Fazia um calor danado, seu Chico chegou suado e apressado e, depois de cumprimentar seus alunos, deu logo incio  aula.
  -- Eu gostaria de comear nossa aula mostrando essa reportagem do 
ano 2000.  de um ex-presidente, na qual ele declarou ter assentado 
(**) muitas famlias sem terra. Ns sabemos que ainda existem muitas 
e muitas famlias acampadas (**) por esse pas, lutando por um pedao de 
terra. Ser que o novo presidente ir cumprir suas promessas de 
campanha? Veremos. Mas eu queria comentar algo interessante que li 
nessa matria.
  -- O que , seu Chico? -- perguntou Ana Ceclia.
<89>
  -- Nessa reportagem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reconhece que a questo da terra em nosso pas  uma questo social. Isso significa que o problema da m distribuio de terras no Brasil no  um problema s nosso, que no temos terra, mas de muito mais gente.
  -- Como assim, seu Chico? -- insistiu Ana Ceclia.
  -- Menina Ana, porque num pas onde um mundaru de terra pertence a pouqussimas pessoas, os problemas sociais so muitos e no se localizam apenas no campo. Por exemplo, quando h muita terra improdutiva, os trabalhadores do campo tm de ir para os grandes centros em busca de emprego, e os problemas que atingem a cidade tambm acabam aumentando: misria, desemprego, falta de moradia, falta de condies mnimas para se viver de forma digna.
  Os alunos refletiam sobre as relaes que o professor fazia entre a concentrao de terras e os problemas sociais, quando seu Chico pediu que todos os ouvintes da roda prestassem ateno ao poema que ele ia declamar:

  "E se somos severinos iguais em tudo e na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina: que  a morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia."

<R+>
Versos de Joo Cabral de Melo Neto, do livro *Morte e vida severina e outros poemas*. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.
<R->
<90>
<p>
  Quando seu Chico terminou de ler os versos, Ana Ceclia pensou: "Que versos to tristes..."
  Ana no havia compreendido algumas palavras do poema mas, antes que conseguisse esclarecer suas dvidas, Guilhermino, um adolescente de dezessete anos, disse:
  -- Seu Chico, esse  um pedao do poema "Morte e vida severina", no ?
  -- Isso mesmo, Guilhermino. Quem escreveu esses versos foi um grande poeta nordestino, chamado Joo Cabral de Melo Neto. E voc sabe por que ele chamou a vida e a morte de severina?
  -- Eu acho que  porque nesse poema ele fala da vida do retirante 
(**) nordestino, das pessoas que fogem da seca e das misrias do 
serto (**). Mas eu tambm acho que esses versos servem pra gente. Pois, pra mim, vida severina  vida sofrida,  a vida que a gente leva.
  -- Isso, Guilhermino! Todo acampado  um pouco severino.
  Nesse momento, Ana Ceclia interrompeu e perguntou:
  -- Seu Chico, o que  emboscada?
  --  uma coisa triste, menina Ana. Eu, que estou nessa vida de luta 
h anos, j vi muita gente morrer por emboscada. E olha que era gente 
trabalhadora, lutando para ter o direito de continuar trabalhando. As 
emboscadas acontecem a mando de pessoas que no querem ver a terra 
dividida. Essas pessoas se acham no direito de contratar jagunos, 
que so homens que recebem para fazer essas em-
 boscadas, ou seja, uma 
espcie de armadilha que geralmente acaba em morte.
<91>
  Foi ento que Guilhermino disse:
  -- Assim morreu Oziel Pereira. Ele foi morto em 1996, quando tinha 
a minha idade. Fazia parte da liderana do Movimento dos 
Trabalhadores que no tm terra...
  Enquanto Guilhermino falava, os versos de Joo Cabral no saam da cabea da Ana Ceclia. Quando Guilhermino concluiu, ela disse:
  -- Seu Chico, morte severina, como o poeta escreveu,  morte violenta, no ?
  O professor confirmou com a cabea.
  -- E vida severina  vida sofrida, vida de gente como eu, minha irm, minha me, no , seu Chico?  continuou a menina.
  -- Muito bem, menina Ana! Voc entendeu bem o que o poeta Joo Cabral escreveu.
  E, voltando-se para o restante do grupo, seu Chico perguntou:
  -- E vocs? O que  para cada um de vocs uma vida severina?
  Cada criana ia respondendo o que considerava ser uma vida severina, at que Tio disse:
  -- Seu Chico, a nossa histria s  feita de tristezas? A gente no tem conquistas? Afinal no  pra isso que a gente luta tanto, pra transformar a nossa vida, pra ela deixar de ser vida severina?
  -- Claro, menino Tio! A histria da luta dos trabalhadores sem terra do Brasil no  feita s de derrotas. Ns tambm temos vitrias. Com nossa luta, muitas famlias j foram assentadas. Sabemos que muito ainda tem de ser feito pela Reforma Agrria no Brasil, mas nosso movimento garante que ela no seja esquecida pelos governantes deste pas.
<92>
  E seu Chico continuou:
  -- Eu acredito que precisamos estudar os dois lados dessa histria: as conquistas e as derrotas.  importante conhecer as nossas derrotas, pois ns tambm aprendemos com elas, assim como  importante saber que nossas vitrias so conseqncias de nossas lutas.
  E ento o professor olhou para cada um de seus alunos e falou:
  -- Bem, meninos e meninas, eu estou aqui com umas idias na cachola... Eu estava pensando que ns poderamos contar essa nossa histria, feita de vitrias e derrotas, de um jeito diferente...
  -- De que jeito, seu Chico? -- perguntou Guilhermino.
  -- Que tal se, depois das leituras, pesquisas e tudo mais que ns fazemos aqui, vocs apresentassem o resultado do trabalho em forma de teatro?
  -- Eu tenho vergonha de me apresentar pra muita gente... -- disse Ana Ceclia.
  -- No tem problema! Voc pode fazer um teatro de bonecos e eles representam para voc!
  -- Teatro de bonecos? Mas como, seu Chico? A gente no tem nenhuma boneca pra contar histria...
  -- A gente faz, ora essa! Esto vendo esses retalhos, cola, 
carretis de linha e essas cabacinhas (**) que eu trouxe? Com esses materiais vocs vero que beleza de bonecos ns podemos construir.
  -- Legal! Parece que isso vai ser divertido.
  -- disse Ana, bastante animada.
<93>
  -- Menina Ana,  divertido,  instrutivo  coisa da nossa gente. 
Nas prximas aulas eu vou ensinar como a gente faz e d vida a esses 
bonecos. Vou contar tambm um pouco da tradio do teatro de 
mamulengo (**) e da o resto  com vocs.
  E seu Chico continuou falando:
  -- Lembrem-se, meninos e meninas: cada grupo pode escolher contar uma parte da histria de nossa luta pela Reforma Agrria no Brasil.  uma histria dolorida, marcada por dificuldades, e s vezes cheia de tristeza. Mas tambm tem o lado bonito, que  quando a gente vence e conquista a terra, transformando nossa vida severina numa vida digna.
  Os alunos saram animados da aula, pensando em como construiriam seus textos e seus bonecos para contar as histrias dos trabalhadores que lutam pelo direito  terra e, dia a dia, transformam a Histria do Brasil.

Rota de viagem

<R+>
_`[{foto: manifestantes carregando bandeiras e duas faixas onde se 
l: "Massacre nunca mais. Movimento dos trabalhadores rurais sem 
terra -- Brasil". "Cadeia para os mandantes e assassinos dos sem 
terra"_`]
 Legenda: Entre os dias 17 e 22 de abril de 2001, uma grande jornada foi organizada pela Via Campesina no Brasil. Dela participaram os integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens, do Movimento dos Pequenos Agricultores, do Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e outros.
<R->
<p>
  Responda oralmente:
<R+>
 1. Voc conhece algum desses movimentos sociais do Brasil? J ouviu falar desses movimentos?
<94>
 2. Observe atentamente a descrio da foto anterior e tente descobrir um dos motivos de protesto dessa jornada.
 3. Qual  a sua opinio sobre protestos como esses? Explique.

_`[{foto 1: manifestantes caminham por uma estrada carregando bandeiras do Brasil e do Movimento dos trabalhadores rurais sem terra_`]
 Legenda: Durante a jornada de abril, em 2001, em 23 estados brasileiros mais de 45 mil trabalhadores caminharam centenas de quilmetros em sinal de protesto.
<p>
_`[{foto 2: manifestantes carregam uma faixa onde se l: "Nossas 
homenagens s vtimas do latifndio assassino"_`]
 Legenda: Marcha de trabalhadores rurais sem terra que saram de vrios municpios de Mato Grosso do Sul em direo a Campo Grande, capital do estado, na jornada de abril, em 2001.

 4. Em sua opinio, por que tantas pessoas, de vrios estados do Brasil, caminharam centenas de quilmetros para protestar?
<R->

<95>
  As legendas das fotos 1 e 2 informam que os protestos representados ali aconteceram durante a jornada de abril de 2001. Vamos descobrir o que significa esse ms para os camponeses sem terra?
<p>
<R+>
_`[{foto descrita por sua legenda_`]
 Legenda: Cortejo em Curionpolis, no Par, em 1996, durante o enterro de dezenove trabalhadores sem terra mortos em Eldorado dos Carajs.
<R->

  No dia 17 de abril de 1996, dezenove trabalhadores rurais sem terra 
foram mortos em confronto com a polcia militar, em Eldorado dos 
Carajs, no estado do Par. Nessa ocasio, lderes camponeses do 
mundo todo estavam reunidos, no Mxico, em um grande congresso 
organizado pela Via Cam-
 pesina, que  a organizao mundial dos camponeses. Ao saber do massacre ocorrido em Eldorado dos Carajs, os lderes da Via Campesina instituram o dia 17 de abril como o Dia Internacional de Luta Camponesa.

  Responda oralmente:
<R+>
 5. Voc conhece outro dia associado a um fato histrico importante 
para os trabalhadores ou outros grupos sociais que tambm tenha sido institudo como dia internacional de protesto?
<R->

<96>
  No estado de Sergipe, no Serto de Xing, municpio de Canind de 
So Francisco, s margens do Rio So Francisco, por mais de um ano 2.800 famlias permaneceram acampadas numa fazenda improdutiva. Eram camponeses sem terra para trabalhar. Eles queriam transformar essa fazenda num lugar produtivo. No dia 6 de maio de 1996, terminava o sofrimento desses trabalhadores, pois eles ganharam o direito de se assentar nessas terras.

  Responda oralmente:
<R+>
 6. O que muda na situao dos camponeses sem terra quando eles deixam de ser acampados e conquistam o direito de viver em algum assentamento?
<R->
<p>
Refletindo e produzindo com
  Ana Ceclia e seus amigos

<R+>
1. Durante a aula, Ana Ceclia definiu o que significa para ela uma "vida severina".
 a) Releia o texto e escreva qual foi a definio dada por Guilhermino para a expresso "vida severina".
 b) Pensando sobre a histria dos sem-terra atualmente e sobre a situao dos acampados em Nova Canudos, quais palavras poderiam ser usadas como sinnimos para substituir o adjetivo *severina* na expresso "vida severina"?
 c) Por que, na sua opinio, o poeta Joo Cabral de Melo Neto usa o adjetivo *severina* para qualificar tanto a vida como a morte dos retirantes?
 d) Escreva o que , para voc, uma "vida severina".
<R->

<97>
<p>
Os nmeros da luta pela terra

  Responda oralmente:
<R+>
 1. O professor Chico props, em sua aula, uma discusso sobre Reforma Agrria. Voc j ouviu falar a respeito?

 2. Observe o grfico a seguir. Nele, o mapa do Brasil foi desenhado 
dentro de um crculo que parece um bolo ou uma *pizza*. Cada pedao 
representa a fatia de terra pertencente aos propri-
  etrios rurais do pas.
<R->

  Observe atentamente a diviso desse grfico e preste ateno nas informaes que ele contm.

Mapa da terra no Brasil

<R+>
_`[{contedo do grfico a seguir_`]
<R->

<R+>
  Grande propriedade: 56,7%
  Porcentagem de proprietrios: 2,8%
  Pequena propriedade: 23,4%
  Porcentagem de proprietrios: 89,1%
  Mdia propriedade: 19,9%
  Porcentagem de proprietrios: 8%
<R->

<R+>
 Fonte: Adaptado do jornal *Folha de S.Paulo*, So Paulo, 19 maio 1996. Caderno Brasil, p. 9.
<R->

<R+>
3. Agora, com base no grfico, responda por escrito:
 a) Em 1996, quando foi produzido esse grfico, qual a porcentagem total das terras pertencentes aos grandes proprietrios rurais?
 b) E aos mdios proprietrios?
 c) E aos pequenos proprietrios?
 d) Qual a porcentagem de proprietrios que detm o controle das grandes propriedades?
 e) E qual a porcentagem de proprietrios que possuem as pequenas propriedades?
<p>
 f) Depois da comparao desses dados, o que voc concluiu sobre a distribuio de terras no Brasil?
<R->

<98>
  Responda oralmente:
<R+>
 4. Na crnica de Ana Ceclia, o professor Chico discutiu uma afirmao de Fernando Henrique Cardoso que dizia que a questo da distribuio de terra no Brasil era uma questo social. Em sua opinio, por que essa questo foi vista pelo ex-presidente, e ainda  vista pelos trabalhadores sem terra e por uma grande parcela da sociedade civil, como um problema social para o Brasil?
 5. Uma das aes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra para solucionar os graves problemas sociais decorrentes da concentrao de terras no Brasil  organizar as famlias desses trabalhadores para montar acampamentos em propriedades que eles julgam improdutivas. Qual  a sua opinio sobre essa prtica dos integrantes do MST? Explique, por escrito.

  Responda oralmente:
 6. Se voc vivesse nas mesmas condies de crianas como Ana Ceclia, de que outras formas se manifestaria contra a questo da concentrao de terras nas mos de poucas pessoas no Brasil?
 7. Imagine que voc possa decidir sobre a questo da terra no Brasil. O que voc faria para resolver o problema de milhares de famlias camponesas que vivem na misria e desejam terra para produzir e viver de forma digna?
<R->

Os agentes da reforma agrria no
  Brasil

  O Incra (Instituto Nacional de Colonizao e Reforma Agrria)  um rgo do governo brasileiro que foi criado na dcada de 1970 para promover a ocupao de espaos com baixa densidade demogrfica no territrio nacional, principalmente na regio Amaznica.  tambm de responsabilidade dos dirigentes desse rgo redistribuir terras que o governo obtm por meio de desapropriaes, ou seja, fazer a Reforma Agrria no Brasil.
  O MST  uma organizao dos trabalhadores do campo que lutam pelo direito  terra no Brasil. Como voc j sabe, uma das aes desse movimento  organizar famlias de trabalhadores rurais para ocupar fazendas consideradas improdutivas pelos integrantes do MST.

<99>
<p>
<R+>
 1. Observe a descrio dos mapas a seguir:
<R->

<R+>
 1- Brasil: Nmero de famlias acampadas por Estado -- 2000
<R->
 
<R+>
_`[{contedo do mapa_`]
<R->
 
<F->
RO: 1.220 -- PA: 826
TO: 1.960 -- GO: 1.030
DF: 515 -- MT: 1.410
MS: 2887 -- MA: 1.182
PI: 495 -- CE: 210
RN: 1.303 -- PB: 1.360
PE: 28.024 -- AL: 8.687
SE: 3.790 -- BA: 6.886
MG: 860 -- SP: 3.225
ES: 690 -- RJ: 860
PR: 5.578 -- SC 948
RS: 2.119.
<F+>
<p>
<R+>
2- Brasil: Acampamentos e famlias por regio -- 2000
<R->

<R+>
_`[{contedo do mapa_`]
<R->

<F->
 Regio Norte
  nmero de acampamentos: 17
  nmero de famlias: 4.006
 Regio Centro-oeste
  nmero de acampamentos: 	27
  nmero de famlias: 5.842
 Regio Nordeste
  nmero de acampamentos: 410
  nmero de famlias: 51.937
 Regio Sudeste
  nmero de acampamentos: 33
  nmero de famlias: 5.635
 Regio Sul
  nmero de acampamentos: 68
  nmero de famlias: 8.646
<F+>

<R+>
2. Agora, em duplas, respondam oralmente: qual  o ttulo de cada mapa?

<100>
<p>
  Responda por escrito:
 3. Ainda em dupla, com base no ttulo de cada mapa e na descrio do seu contedo, respondam: que tipo de informao podemos retirar deles?
 4. Observe no mapa 1 e responda: quais so os oito estados onde h maior concentrao de famlias de sem-terra acampadas? Anote, em ordem decrescente, o nmero das famlias acampadas nesses estados.
 5. Voc j sabe que o Incra  o rgo do governo federal responsvel 
pelos programas de Reforma Agrria no pas. Com base nas informaes 
que voc possui at esse momento, responda: se voc fosse presidente 
desse rgo, em qual das regies brasileiras a realizao de um 
pro-
  grama de Reforma Agrria seria mais urgente? Por qu?
 6. Qual ou quais relaes podemos fazer entre a regio que voc 
apontou na questo anterior e
<p>
  o trecho do poema "Morte e vida severina" lido por seu Chico?
<R->

Diferentes olhares sobre a
  questo da terra

  Nas ltimas dcadas a questo dos sem-terra e a distribuio de terras no Brasil vm sendo discutidas por diferentes setores da sociedade brasileira.

<R+>
1. Leia com ateno os depoimentos a seguir, para conhecer o que 
alguns representantes polticos e lideranas de diferentes 
instituies pensam sobre os sem-terra e sobre a Reforma Agrria.

 A. Opinio de Fernando Henrique Cardoso, que foi presidente do Brasil em dois mandatos consecutivos (1995-1998 e 1999-2002).
<R->
<p>
  "[...] Eu desapropriei 12 milhes de hectares de terra -- todo dia 
eu desaproprio terra! So trs Blgicas. Assentamos, at hoje, perto 
de 400 mil famlias.  muito mais que toda a histria do Brasil. Bem, 
o MST diz que  insuficiente. No mundo, todos reclamam que o Brasil 
no faz Reforma Agrria.  a maior Reforma Agrria do mundo 
contemporneo!"

<R+>
Fernando Henrique Cardoso em entrevista para a revista
  *Repblica*, So Paulo, ano 4, n. 40, p. 51, fev. 2000. Fernando Henrique Cardoso, Braslia (DF), 1998.

<101>
 B. Opinio de Luiz Incio Lula da Silva, que tomou posse da presidncia da Repblica em 2003.
<R->

  "A Reforma Agrria vai ser feita com a objetividade necess-
<p>
 ria, mas dentro de prioridades. O problema nosso no  apenas assentar. 
Experincia de colocar miserveis num canto a gente j teve. O 
trabalho  mais duro,  organizar os trabalhadores em cooperativas, 
levar a tecnologia para o campo. Construir combinao entre produo, 
industrializao e comercializao. Temos que discutir nos 
assentamentos que tipo de casas vamos fazer.  preciso construir um 
novo modelo de escola, um novo modelo de sade. No quero repetir as 
mesmices que j foram feitas nesse pas. Quero fazer melhor, com mais 
tranqilidade."

<R+>
Luiz Incio Lula da Silva, citado na revista *Linha Aberta*, 21 nov. 
2003, s/p. Disponvel em: ~,http:www.pt.org.br~,. Acesso em: 11 mar. 2004.

 C. Opinio de Antnio Ernesto de Salvo, presidente da CNA (Confederao Nacional da Agricultura e Pecuria do Brasil), a maior entidade representante dos proprietrios de terra.
<R->

  "A Reforma Agrria  alguma coisa obsoleta, atrasada, antiga no 
tempo. Os pases que a fizeram j se arrependeram mil vezes. Do 
acesso democrtico  terra, sou completamente a favor. Quem no tem 
terra, precisa de mecanismos para chegar  terra. Ou seja, 
comparando-se com o exemplo urbano, quem no tem casa vai ao banco e 
faz um financiamento para comprar. Eu sou contra se essa pessoa 
invadir um apartamento e disser: isso  muito grande, vamos dividir 
em dez. Na cidade, todo mundo compreende que  um absurdo
<p>
 invadir o 
que  grande para repartir. No campo, no."

<R+>
Antnio Ernesto de Salvo em entrevista  revista *Safra*, Goinia, 
out. 2000. Adaptado de: ~,http:www.revistasafra~
  .com.br~,. Acesso em: 11 mar. 2004.

<102>
 D. Opinies de representantes e entidades da Igreja Catlica.
 a) Opinio da Comisso Pastoral da Terra.
<R->

  "O Brasil  hoje o segundo pas do mundo de maior concentrao da 
propriedade da terra. Se o governo quisesse fazer de fato Reforma 
Agrria e utilizando a lei que est em vigor, desapro-
 priando apenas 
as grandes propriedades acima de mil hectares -- poderia contar com o 
estoque de mais de cem milhes de hectares, suficientes para assentar 
mais de 8 milhes de famlias, sendo que existe hoje um contingente 
de 4,9 milhes de famlias que precisam de terras."

<R+>
Trecho do documento do Frum Nacional pela Reforma Agrria e Justia 
no Campo, produzido pelo Secretariado Nacional da Comisso Pastoral 
da Terra.

b) Opinio de D. Paulo Evaristo Arns, quando era cardeal-arcebispo 
(**) da Arquiodiocese de So Paulo.
<R->

  Em 18 de fevereiro de 1997 D. Paulo Evaristo Arns, que participava da Reunio Anual dos Bispos da Arquidiocese de So Paulo, afirmou em entrevista ao jornal *Folha de S. Paulo*: " legtima a ocupao de uma terra que no est sendo trabalhada".
  D. Paulo afirmou ainda que a Igreja "est ao lado dos sem-terra". O 
cardeal disse que a Reforma Agrria est atrasada 500
<p>
 anos e que "o 
Brasil no pode esperar mais".

<R+>
Texto adaptado do jornal *Folha de S.Paulo*, 19 fev. 1997.

c) Opinio de D. Lucas Moreira Neves, quando era presidente da Confederao Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
<R->

  Em 1997, D. Lucas Moreira Neves, diante do encontro de lideranas do MST com o ento presidente Fernando Henrique Cardoso, afirmou estar esperanoso de que esse encontro fosse o incio de uma nova fase no processo de assentamento de famlias pela Reforma Agrria. Mas, segundo ele: "Do ponto de vista da moral crist, no  defensvel nenhuma forma de invaso".

<R+>
Texto adaptado do jornal *O
  Estado de S. Paulo*, 19 abr. 1997.

<103>
 2. Agora forme um grupo para realizar as atividades propostas.
 a) Releiam as seis opinies e escrevam os nomes das pessoas e/ou das instituies que elas representam. Usem uma folha para cada nome e/ou instituio e respondam em cada uma delas os itens seguintes.
 b) De quais assuntos relacionados  questo da terra (Reforma Agrria, invaso, ocupao de terras, concentrao de terras no Brasil etc.) cada opinio trata?
 c) Qual  a viso de cada uma dessas pessoas e/ou instituies a respeito dos assuntos sobre os quais opinou?
<p>
 3. Imaginem que essas opinies foram apresentadas a um trabalhador rural, pertencente ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.
 a) Com qual ou quais das opinies vocs acham que ele concordaria? Por qu?
 b) De qual ou quais ele discordaria? Por qu?

  Responda oralmente:
 4. Agora imaginem que essas opinies foram apresentadas aos proprietrios de terra, e responda oralmente:
 a) Com qual ou quais das opinies vocs acham que eles concordariam? Por qu?
 b) De qual ou quais eles discordariam? Por qu?

 5. Agora seu (sua) professor(a) vai organizar dois grandes grupos na 
sala: um deles dever defender a Reforma
<p>
  Agrria e o outro ser 
contrrio a ela.
<R->

<104>
Um poema que fez histria

  O poema de Joo Cabral de Melo Neto j virou cano, pea de teatro 
inspirou artistas plsticos. Enfim, ele  considerado por muitos 
crticos, artistas e estudiosos uma grande obra da literatura 
brasileira.
  Todas as vezes que a autora deste livro l esse poema, ela se 
emociona, porque o considera um poema triste, porque o poeta faz um 
retrato de uma realidade brasileira que  muito difcil.
  Joo Cabral fala, por meio de sua poesia, da vida dura e severa das 
pessoas pobres, dos trabalhadores rurais que sofrem com a seca. Essas 
pessoas no tm recursos para sobreviver no campo e, muitas vezes, 
no contam com ne-
<p>
 nhuma assistncia. Para o poeta, essa  uma vida 
severina.
  Mas h tambm muita beleza nesse poema porque Joo Cabral nos 
mostra o quanto esses brasileiros, trabalhadores do campo, so
lutadores, mesmo no tendo um pedao de cho para sobreviver e mesmo, 
muitas vezes, sendo obrigados a migrar. O poeta nos faz ver o quanto 
essas pessoas desejam e buscam uma vida melhor e o quanto lutam por 
isso. Lutar pela sobrevivncia, brigar pela vida, por mais dura que 
ela seja,  uma atitude bela e necessria.
<105>
  Ana Ceclia e seu grupo resolveram contar a histria dos sem-
 -terra. Eles vo utilizar os bonecos que fizeram para falar sobre a 
organizao desses trabalhadores na luta pela conquista do direito  
terra. A pea de teatro de bonecos encenada pelo grupo de Ana
<p>
 Ceclia chama-se *Vida vitoriosa*. Ana sugeriu que a pea fosse terminada com 
um poema escrito com base em uma releitura do poema "Morte e vida 
severina".
  Vamos conhecer o ato final da pea?
  E se somos Vitrios iguais em tudo e na vida, vivemos de vida igual, mesma vida vitoriosa: que  a vida de que se vive do trabalho e dele desfruta, que educa os filhos, que os vem brincar, crescer e lutar pela vida dia a dia.

<R+>
 Agora  com voc! Faa, com massinha, personagens para ilustrar o poema acima e representar a nova vida, a vida vitoriosa, to desejada pelas crianas que, como Ana Ceclia, vivem acampadas nos estados brasileiros.
<p>
Para saber mais

 *A ocupao da Amaznia e a presena militar*, de Maria Clia Nunes Coelho. So Paulo: Atual, 1998.
 *Como fazer teatrinho de bonecos*, de Maria Clara Machado. Rio de Janeiro: Agir, 1970.
 *Pascoalzinho p-no-cho: uma fbula sobre a Reforma Agrria*, de Chico Alencar. So Paulo: Moderna, 1991.
<R->

               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

Fim da Segunda Parte
